Jovens Homossexuais, Homofobia e Ideação Suicida

Segundo Andrei Moreira, “quando dizemos que um indivíduo é homossexual, estamos caracterizando única e exclusivamente sua orientação do desejo, voltada para o mesmo sexo.

A homossexualidade é uma condição normal do comportamento humano vivida por um indivíduo homossexual. Segundo Andrei Moreira, “quando dizemos que um indivíduo é homossexual, estamos caracterizando única e exclusivamente sua orientação do desejo, voltada para o mesmo sexo. Isso significa apenas que o indivíduo sente atração e se realiza afetiva e sexualmente com outro indivíduo do mesmo sexo. O mesmo autor continua dizendo que “ao afirmarmos que alguém é homossexual, não estamos caracterizando-lhe a personalidade, nem dizendo de seu comportamento ou dos papéis sexuais, que variam enormemente, como entre os heterossexuais. Isso é importante de ser frisado para derrubar o preconceito que faz crer que o simples fato de classificar alguém como homossexual também o classifica como “safado”, “promíscuo”, “sedutor”, “pedófilo” ou “sem caráter”, como habitualmente observamos serem classificados pela ignorância humana”.

A homofobia, ou o comportamento homofóbico, sempre esteve presente na história da humanidade, podendo variar a depender da época ou da cultura a maneira como se apresenta e se expressa. O termo pode ser entendido como o medo ou o descrédito quanto às pessoas homossexuais ou àqueles que são presumidos o serem, bem como a tudo que faça referência aos atributos, esperados para um sexo, encontrados em outro sexo (Welzer-Lang, 2001), assim como para designar uma violência física, simbólica e/ou social contra o(s)/a(s) homossexuais. No entanto, o termo foi utilizado pela primeira vez de forma acadêmica em 1971 no artigo intitulado “Homophobia: A tentative personality profile” pelo psicólogo K. T. Smith e se referia a situações em que alguém se sentisse incomodado de estar no mesmo espaço junto com uma pessoa homossexual. Além disso, pode-se observar ainda uma homofobia interiorizada (do sujeito para consigo mesmo e para com outros homossexuais) a partir da visão negativa e homogeneizada da homossexualidade da sociedade.

Como efeito da homofobia temos os números crescentes de violência contra homossexuais no mundo e em nosso país. Hoje, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de violência contra pessoas homossexuais, sendo seis vezes mais violento que o segundo e terceiro lugar (Moreira, A. Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal, pag.69). Além da violência direta, a visão negativa da homossexualidade tem efeito direito sobre a formação da identidade do homossexual, e de todas as orientações sexuais, com prejuízos importantes para a sua saúde mental.

Tais efeitos são dramáticos e assustadores, ainda mais pensando em uma fase como a adolescência em que, como já foi dito anteriormente, apresenta maior susceptibilidade a conflitos emocionais. Diante disso, segundo Teixeira-Filho e Rondini -2012, temos como efeito dos processos homofóbicos, e não somente uma decorrência de processos patológicos individuais, o estigma de se descobrir “não heterossexual” para si mesmo e/ou para os outros, o que pode contribuir para levar um(a) adolescente ao ato de pensar e/ou de atentar contra a própria vida.  Segundo os autores, a partir dessas consequências, pode-se perguntar: o adolescente homossexual está mais vulnerável que o adolescente heterossexual, em relação ao risco de suicídio?

Vale antes ressaltar que, entre os adolescentes, o suicídio é a terceira causa de morte nos Estados Unidos e incorre em mais preocupação pelo fato da taxa de suicídio nessa faixa etária ter quadriplicado nos últimos cinquenta anos. Entre as principais causas, um estudo que analisou 37 pesquisas mundiais identificou o bullying como uma das principais causas do suicídio de crianças e adolescentes. Esse fato pode gerar um impacto tão negativo, físico e/ou emocional que além de ser um dos principais motivos de suicídio, também é o responsável por cerca de 19 mil tentativas ao ano nos Estados Unidos (Kim & Leventhal, 2008).

Segundo Tamam e colaboradores (2001) o número de suicídios entre homos-sexuais, particularmente entre adolescentes e jovens adultos, tem sido considerado alto, nos últimos 25 anos. Nos Estados Unidos a população de jovens homossexuais representa cerca de 5 a 6 % da população total. No entanto, quando comparamos o número de auto extermínio nas população homossexual eles representam um terço de todos os suicídios em jovens no país. (Remafedi,1994; Savin-Williams, 1996). Esses dados corroboraram o levantamento feito pela Secretaria da Força-Tarefa do Governo dos Estados Unidos sobre suicídio entre jovens, o qual demonstrou uma chance duas a três vezes maior de suicídio em homossexuais quando comparados aos heterossexuais, representando 30 % dos total de suicídios entre jovens (Paul Gibson, 1989).

Um outro dado importante foi encontrado no estudo realizado por Garofalo e col. (1998). Esse foi um dos primeiros trabalhos a utilizar uma amostra grande de adolescentes e oferecer um grupo controle. Usando uma amostra aleatória (randomizada), foram entrevistados mais de quatro mil estudantes (4.159) do 9º ao 12º período no Estado de Massachusetts. Desse total, 104 estudantes disseram se identificar como gays, lésbicas ou bissexuais (2,5%). Observou-se uma diferença estatística significante entre a porcentagem de tentativas de suicídio feitas pelos estudantes homossexuais (9,9%), em comparação aos estudantes heterossexuais (5,3%).

Alguns podem argumentar que os fatores associados a um maior número de suicídios entre jovens homossexuais se devem a questões biológicas, predisposição genética, ou mesmo o uso abusivo de substâncias, não se relacionando ao fato da homossexualidade e suas interações sociais. Para esclarecer essa questão, Herrell e col. (1999), realizaram uma pesquisa com uma amostra composta por 103 pares de irmãos gêmeos do sexo masculino, em que um já tinha tido relação sexual com alguém do mesmo sexo após os 18 anos, com o objetivo de avaliar fatores como depressão e uso de substâncias e suas associações com orientação sexual e suicídio. Nesse trabalho, os pesquisadores levantaram quatro fatores de risco para o suicídio: pensamentos sobre a própria morte, desejo de morrer, pensamentos sobre cometer suicídio e tentativa de suicídio. Dessa forma, pode-se inferir que a orientação sexual tem forte impacto sobre os sintomas relacionados ao suicídio em relação a homossexualidade.

De fato, existem inúmeros fatores que influenciam a vivência da homo, bi e transsexualidade na nossa sociedade atualmente. No entanto, não se pode negar que viver essa experiência juntamente com todos os fatores de conflito interno e externo, preconceito, homofobia e discriminação é fator de risco para o pensamento de auto extermínio e tentativas de suicídio. Essa constatação não só nos chama a atenção para pensar e construir políticas afirmativas destinadas a essa população em especial, mas também para ampliar as medidas de combate a homofobia, transfobia e qualquer outro tipo de discriminação de gênero.

Falando de amor

Não existe caminho melhor para promover a dignidade humana que o Amor. Amar é acolher, respeitar e integrar as diferenças, reconhecendo no outro as potencialidades do Ser que vibra e pulsa pela oportunidade da vida e de viver sua totalidade. No entanto, para isso, é preciso construir essa vivência dentro de nós, superando os nossos preconceitos, para que esse mundo se externalize e se dissemine em nossa sociedade.

Além disso, é preciso criar espaços acolhedores e com abertura para que os jovens que vivenciem essa experiência possam falar abertamente sobre os desafios que enfrentam, seus medos e os seus sonhos. Assim, é possível minimizar muito os efeitos do preconceito vivenciado no dia a dia.

Agora, se você vive de alguma forma a experiência da homossexualidade, bissexualidade ou transsexualidade, saiba que você é AMADO e QUERIDO por Deus da forma que você é. Há uma essência única em você que o faz tão especial como ninguém mais o é, e mesmo que o mundo as vezes tente te dizer o contrário, não acredite. Sim, você enfrentará desafios e dificuldades, não é sempre fácil não ser heterossexual em uma sociedade ainda tão marcada pelo preconceito, mas você pode vencer.

Deixo aqui algumas dicas que podem ajudar você nesse processo.

1)          Procure a companhia de pessoas que te valorizem e que te amem pelo que você é. Se alimentar de amor e afeto é essencial para se manter de pé.

2)          Não guarde suas angustias e dificuldades só para você. Procure grupos de apoio, amigos e profissionais para falar sobre as dificuldades que você vem enfrentando. O fardo fica sempre mais leve.

3)          Assista a filmes, documentários, vídeos e leia livros que falem sobre outras pessoas que passaram pelo que você já passou. As experiências dos outros podem te ajudar muito.

4)          Você não precisa provar nada para ninguém. O fato de você não ser heterossexual não te obriga a se esforçar em dobro para provar ao mundo que você é bom.  Não é uma corrida em que você saiu atrasado, é uma caminhada na qual você está no lugar certo.

5)          Se as coisas estiverem muito difíceis e você se sentir angustiado e com a sensação de que a vida não vale a pena, PROCURE AJUDA. Um bom profissional é essencial para te ajudar nessa fase e pode te auxiliar a enxergar saídas que talvez você não esteja vendo no momento.  Além disso, você é muito importante para o Mundo, mesmo que você não sinta isso agora.

Por fim, independentemente da orientação sexual, existimos para sermos felizes e para fazermos de nós e do mundo um lugar melhor. Nem sempre é fácil, mas é possível. Só peço a você que NÃO DESISTA DE TENTAR.